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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cadê as histórias?


Surgido na França no início do século XIX, o folhetim é uma narrativa literária, seriada dentro dos gêneros prosa de ficção e romance. Nasceu junto da imprensa e ao ser importado para o Brasil, fez um enorme sucesso, principalmente na segunda metade do século.

Possui duas características básicas quanto ao formato: é publicada de forma parcial e sequenciada em periódicos como nos jornais e revistas; quanto ao conteúdo: apresenta narrativa ágil, profusão de eventos e ganchos intencionalmente voltados para prender a atenção do leitor.

A possibilidade das tramas é infinita e busca ilustrar com realismo e emoção a miséria da condição humana. Apresenta múltiplas opções de enredo: de assuntos frívolos a sérios, de conversas particulares a acontecimentos políticos. O folhetim se aproxima do realismo literário, mas não com a pretensão de registrar a verdade, apenas por ser verossímil.

Nos anos 40, sob o pseudônimo feminino de Suzana Flag, o escritor Nelson Rodrigues escreveu alguns romances em formato de folhetim para os Diários Associados Chateaubriand. O primeiro folhetim, "Meu destino é pecar", foi um sucesso de tal modo que os leitores acreditavam que Suzana Flag era real.

Outros nomes da literatura e do jornalismo brasileiro tiveram suas obras publicadas em folhetins, como José de Alencar, Machado de Assis, Manuel Antônio de Almeida e Lima Barreto. Na era da tecnologia imediatista e do Netflix, será que o folhetim ainda encontraria adeptos?

segunda-feira, 8 de junho de 2015

As crônicas do fato

Embora exista o jornalismo literário, que é voltado para a prática do mesmo com viés de literatura, para uma maior compreensão e com maior riqueza de detalhes, esse gênero jornalístico talvez venha a ser uma boa pauta para outro texto futuro, já que não é o tema do conteúdo deste.

Aqui será abordado o literato jornalista, por assim dizer. Grandes nomes da literatura brasileira foram jornalistas, entre eles: Clarice Lispector, Euclides da Cunha, José de Alencar, Machado de Assis e Raul Pompéia. Se bem que, o Jornalismo praticado por eles não é o mesmo Jornalismo "técnico", usado hoje em dia, já que o primeiro curso do mesmo surgiu apenas em 1947.

Dizem que um bom escritor escreve sobre aquilo que conhece. Talvez esses nomes tenham alcançado algum destaque a mais, devido a essa profissão. Afinal somos obrigados a saber sempre um pouco de tudo, convivemos com o mundo de uma forma um pouco diferente da usual. Somos mais questionadores e essa profissão nos leva a ter contato com acontecimentos que se distanciam do cotidiano de nossos conhecidos e, por vezes, de nós mesmos.

Uma boa narrativa é como uma notícia, ela precisa ser pautada, bem pensada e ter uma fonte confiável. Por mais ficcional que seja a obra, as experiências do autor sempre ditam a obra. O literato sempre “está lá” de alguma forma, seja como narrador, personagem ou coadjuvante. Diferente das matérias onde tudo que importa é o fato ocorrido.

Como jornalistas colocamos o mundo no jornal, e como escritores nos colocamos no mundo através de nossas falácias.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Morre o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano

Morreu nesta segunda-feira (13) o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. O profissional tinha 74 anos e é considerado um dos maiores autores da literatura latino-americana.

Galeano estava internado em um hospital na cidade de Montevidéu e morreu devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007. O autor é famoso por obras dos gêneros de ficção, jornalismo e análise política, como "Memórias do Fogo", "Os Dias Seguintes" e "Crônicas Latino-Americanas".

(Com informações do portal Comunique-se)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (02).

A edição desta semana destaca o show do cantor Jorge Vercilo em São Paulo.

O programa também traz uma reportagem sobre o retorno dos clássicos da Disney na Rede Cinemark.

Confira:



Fique atento, dia 16 de outubro o Mirante Cultural está de volta em mais uma edição inédita.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (18).

A edição desta semana destaca o show do cantor Michael Bublé em São Paulo.

O programa também traz uma reportagem sobre segunda Festa da Cultura Nordestina de São Caetano do Sul

Confira:



Fique atento, dia 02 de outubro o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (04). 

A edição desta semana destaca apresentação da banda Ghost em São Paulo. 

O programa também traz uma reportagem sobre a exposição do Castelo Rá-Tim-Bum no MIS.

Confira:



Fique atento, dia 18 de setembro o Mirante Cultural está de volta. 

Até lá!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (26).

A edição desta semana destaca apresentação da banda cover Beatles Forever.

O programa também traz uma reportagem sobre balé clássico no ABC.

Confira:



Fique atento, em agosto o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (12).

A edição desta semana destaca show do cantor Jorge Vercillo.

O programa também traz uma reportagem sobre uma exposição de instrumentos musicais antigos.

Confira:










Fique atento, dia 26 de junho o Mirante Cultural está de volta. 

 Até lá!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (29).

A edição desta semana destaca show da cantora Elza Soares.

O programa também traz uma reportagem sobre o Circuito Cultural do SESC.

Confira:




Fique atento, dia 12 de junho o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (15). 

A edição desta semana destaca o show da banda Matanza. 

O programa também traz uma reportagem sobre homens na dança. 

Confira:


Fique atento, dia 29 de maio o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (01).

A edição desta semana destaca o show do cantor Zé Ramalho.

O programa também traz uma reportagem sobre um blog de resenha de livros.

Confira:



Fique atento, dia 15 de maio o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (17).

A edição desta semana destaca o show da banda Multifário.

O programa também traz uma reportagem sobre a Pinacoteca de São Caetano do Sul.

Confira:


Fique atento, dia 01 de maio o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mirante Cultural - O panorama das sete artes

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (03).

A edição desta semana destaca o show da banda Forfun.

O programa também traz uma reportagem sobre Brincadeiras de Rua.

Confira:




Fique atento, dia 17 de abril o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 20 de março de 2014

MIRANTE CULTURAL - O PANORAMA DAS SETE ARTES

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (20).

A edição desta semana destaca o show da banda NX Zero.

O programa também traz uma reportagem sobre o projeto Viva Arte.

Confira:




Fique atento, dia 03 de abril o Mirante Cultural está de volta.


Até lá!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MIRANTE CULTURAL - O PANORAMA DAS SETE ARTES

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (20).

A edição desta semana destaca o projeto Quintas Brasileiras.

O programa também traz uma reportagem sobre a Escola Livre de Teatro de Santo André.

Confira:





Fique atento, dia 06 de março o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

MIRANTE CULTURAL - O PANORAMA DAS SETE ARTES

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (26).

A edição desta semana destaca o show da cantora Glau Piva.

O programa também traz uma reportagem sobre a exposição Cor e Movimento.

Confira:


Fique atento, na próxima quinta-feira o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MIRANTE CULTURAL - O PANORAMA DAS SETE ARTES

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (19).

A edição desta semana destaca o espetáculo "O Lançador de Foguetes".

O programa também traz uma reportagem sobre danças indianas.

Confira:


Fique atento, na próxima quinta-feira o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

MIRANTE CULTURAL - O PANORAMA DAS SETE ARTES

Já está no ar o Mirante Cultural dessa quinta-feira (01).

A edição desta semana destaca o espetáculo Gran Circo Pimienta 2.0.

O programa também traz uma reportagem sobre a Academia Popular de Letras do Grande ABC.

Confira:



Fique atento, semana que vem o Mirante Cultural está de volta.

Até lá!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Cultura, pensamento e arte: uma conversa com Duanne Ribeiro

Duanne Ribeiro é jornalista especializado em Gestão Cultural
e editor chefe da Revista Capitu
Foto: Facebook


"Pense em tudo o que faz como a construção do seu trabalho pessoal e se esforce por isso. Dentro de uma empresa, crescendo com ela, ou além de qualquer empresa, se autopublicando. Como disse o poeta, não há caminho: o caminho se faz caminhando."


Quais motivos te levaram a cursar jornalismo?


Eu sempre gostei de escrever, desde pequeno escrevia uns contos, ao longo da adolescência mantive uns sites ou blogs e foi um tanto natural que eu seguisse em uma profissão que consistia basicamente nesse tipo de trabalho. Por outro lado eu fui acostumado bem cedo com a mídia jornal (meu avô comprava por conta das promoções de livros) e com programas de televisão jornalísticos ou pseudojornalísticos. Outro dia estava pensando que eu absorvi foi a ideologia de heroísmo da profissão porque lia bastante histórias em quadrinhos, e vários heróis são repórteres. E hoje em dia o Super-Homem largou o jornal e virou blogueiro, e eu estou aqui.


Na hora de me decidir para o vestibular eu estava entre jornalismo e filosofia, mas eu não queria ser professor, eu preferia escrever, eu preferia não estar tão preso a um local apenas. Era e ainda é o jeito com que prefiro ganhar a vida; mas hoje curso a graduação em Filosofia, sem a urgência de ter de acabar e começar a trabalhar.


Qual é a melhor lembrança que você tem da faculdade?


Além de todas as pessoas que conheci e que continuo encontrando aqui e ali, acho que são duas lembranças mais significativas, principalmente numa entrevista ligada à profissão. A primeira delas foi a produção do meu trabalho de conclusão de curso, que foi a origem da Capitu de hoje. Foi ali que na verdade compreendi o curso, que me envolvi com todas as partes básicas do jornalismo (reportagem, fotografia, diagramação, edição), com o apoio fundamental do meu orientador Marcio Calafiori, que me deu liberdade de trabalho e esteve sempre disponível e rigoroso na crítica, quando era preciso.


A segunda foi logo no primeiro ano, e foi quando compreendi o que era jornalismo, por conta de um amigo meu, Ivan Siqueira, que era muito mais repórter do que logo no início do curso. Tínhamos que fazer uma matéria para a primeira matéria com oficina de texto, saímos na rua sem pauta, só com a ideia, e fomos de fonte a fonte, até chegar a mais relevante delas com um pouco de informação, mas ainda tendo de pensar rápido e agir no improviso. Depois escrever o texto e ele vir riscado da cabeça ao pé de coisas que teriam que mudar, adequar ao estilo jornalístico, etc. Jornalismo em essência é arrumar o pneu com o carro andando, e eu descobri isso ali, naquele dia, na rua.


Com pós-graduação em Gestão Cultural, produtor de conteúdo para o Itáu Cultural e Editor da Revista Capitu é possível perceber o seu envolvimento com aspectos culturais. Para você o que significa o jornalismo cultural e qual a importância desse para a sociedade?


Na verdade não poderia ser de outra forma, na medida em que o jornalismo em si é uma atividade de cultura, qualquer matéria pressupõe um contexto cultural e uma intervenção em vários outros. "Cultura" é um conceito em debate e suas acepções mais sofisticadas compreendem os valores, os modos de convivência, a memória, a política, o trabalho, a economia, a academia. Tudo isso está em jogo para vários campos jornalísticos.


Se tomarmos o sentido mais restrito de "cultura" que é usado pelo "jornalismo cultural" mais comum, então a pergunta quer é saber qual meu envolvimento com as artes, provavelmente as mais canônicas. Eu tenho me especializado nesse tipo de cobertura desde a faculdade, com o trabalho de conclusão de curso, alguns cursos, a leitura óbvia dos manuais escritos pelo Daniel Piza e pelo Marcelo Coelho, etc. É meu campo de maior interesse ou com que tenho maior prazer em trabalhar, mas também me atraem outras aplicações da reportagem.


Para a sociedade, pelo menos no trabalho que eu tento fazer, com base no que aprendi de muita gente, a função do jornalismo cultural — ou mais amplamente, do jornalismo de ideias — é levar a atenção das pessoas a algumas obras que a mereçam, por motivos que o jornalista deve explicitar e justificar. Também, iluminar aspectos dessas obras, como funcionam e como se relacionam com o ambiente sociocultural que as criou. É inserir essas obras em um debate público, de maneira a aperfeiçoar esse debate público.


O caderno de cultura sempre foi visto como um caderno frio. Inclusive profissionais dessa área ganham menos. Por que você acredita que isso aconteça?


Eu não sei; depende muito do tipo de cobertura cultural a que os repórteres se dedicam a fazer. Vou estudar na pós, por exemplo, qual a extensão da inserção do tema políticas públicas na área de cultura no jornalismo cultural da Bravo! e da Folha de S.Paulo. Isso é um assunto quente, as últimas gestões do Ministério da Cultura modificaram o cenário do País. Outro tema possível é o da economia criativa, um conceito sendo aperfeiçoado, que recebeu uma secretaria específica recentemente e que se coloca como relevante para o desenvolvimento de várias comunidades. Esse é outro assunto quente.


Isso tudo sem diminuir a importância da agenda, com que os leitores provavelmente têm uma relação tão imediatista quanto a de qualquer caderno de esportes. Quanta gente não compra os jornais de sexta só pelos guias? E aí também a de se perceber o que está acontecendo em outros campos que não os "centros de prestígio". A periferia de São Paulo está efervescente com produção cultural e criou canais próprios de divulgação porque os jornais grandes perderam o bonde. Como é que amplia essa cobertura e se aumenta essa relevância pra todo mundo?

Em um ponto de vista urbanista, o jornalismo cria roteiros da cidade, determina campos visitáveis da cidade, cria ou desfaz os pedaços que a cidade se forma. Tudo isso está acontecendo naquelas notinhas de quatro linhas, em tempo real, e isso é quente.


Que relação existe entre o jornalista Duanne e a literatura, por assim dizer?


Como eu disse, eu escrevia desde pequeno e tenho algumas ideias ainda a efetivar. Recentemente publiquei um conto de ficção científica em uma antologia. Eu tenho um blog com algumas experiências, atualizado de maneira esparsa, a que devo dar mais atenção no ano que vem. Os últimos posts foram brincadeiras em um gênero que, descobri anteontem, já está até bem formado, o remix literário. No Digestivo Cultural, também escrevi duas crônicas.


A Revista Capitu trata basicamente de cultura e literatura. Mas qual é o propósito da revista? Quais são as mensagens que a revista visa passar para os seus leitores?


Essa é uma definição mais antiga da linha editorial da Capitu, formulada para o trabalho de conclusão de curso, mas que foi sendo modificada na prática ao longo dos quatro anos que a mantive depois de se formar. Sei que esse "slogan" e essa descrição anterior ainda está no site como nossas diretrizes, porém isso são coisas que atualizarei logo mais — estamos em um momento de reformulação. O novo lema é mais amplo: Cultura, Pensamento e Artes


São mudanças não só para ampliar a relevância da revista por si, para fazer com que seja mais inserida no debate social, mas para que ela se torne mais interessante para mim mesmo. Faço a revista por esforço próprio e principalmente com a colaboração de várias pessoas talentosas, e é importante em um sentido pessoal que ela seja instigante pra mim também, ou me tornarei uma máquina de postagem apática. Há pouco tempo me cansei disso e me afastei; e agora reencontrei a vontade de trabalhar na revista.


Os objetivos da revista é o de produzir esse jornalismo de ideias, ressaltar obras e debates. Capitu não pretende passar mensagens a ninguém, embora cada colaborador em particular possa ter esse propósito. A personagem de Machado é oblíqua e dissimulada, então seria só contraditório se tivéssemos uma bandeira e uma declaração de intenções à porta.


Falar de literatura é pensar em autores, obras e poetas. Mas o que é jornalismo literário?


O que se convenciona chamar de jornalismo literário deriva do new journalism que nasceu nos EUA, ou em experiências de texto mais elaboradas, como de Os Sertões. A crítica literária por sua vez é outra coisa, e há algumas correntes em disputa nessa área. O que poderiam perceber é que cada qual ilumina um tanto da obra, e não a esgota; não são mutuamente excludentes.


Como é possível aplicar, por exemplo, técnicas do jornalismo literário no dia a dia, para assim fugir daquele jornalismo “quadrado”? É possível aplicar, por exemplo, jornalismo literário na revista, no jornal e na rádio?


No dia-a-dia é complicado porque na maioria das empresas o que você faz é correr contra o tempo e produzir, produzir, produzir. Com tempo e espaço esse tipo de reportagem, o melhor tipo de reportagem, pode ser realizado com certeza, e o exemplo de excelência que temos é a Piauí. Penso que o jornalista, nesses tempos de autopublicação, pode pensar em realizar algo nesse sentido mesmo além do local em que trabalha, por gosto próprio.


Em alguns versos, ou palavras, defina quem é Duanne Ribeiro?


Não há muito que dizer de mim, não, eu sou as coisas que eu fiz.


Diga qual é o livro que todo jornalista precisa ler?


No campo do jornalismo cultural, Crítica Cultural - Teoria e Prática, do Marcelo Coelho, é excelente, muito superior ao famosíssimo Jornalismo Cultural, do Daniel Piza — que também é bom, mas é mais restrito. As antologias de entrevistas da Paris Review também são fundamentais. No campo do jornalismo literário, Fama e Anonimato, do Gay Talese, me mostrou todo um campo infinito de pautas possíveis, e Radical Chique, do Tom Wolfe, que é um exemplo genial de experimentação com linguagem no jornalismo. 


Para fechar, qual o conselho que você deixa para os estudantes, futuros jornalistas?


Pense em tudo o que faz como a construção do seu trabalho pessoal e se esforce por isso; dentro de uma empresa, crescendo com ela (sim, é possível), ou além de qualquer empresa, se autopublicando. Como disse o poeta, não há caminho: o caminho se faz caminhando.

Conheça alguns trabalhos do jornalista Duanne:

Digestivo Cultural
revistacapitu
duanneribeiro.blogspot.com

Contato:
@duanneribeiro
Facebook: Duanne Ribeiro

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Um jornalista chamado Olavo Bilac

   
" As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel" 
Um dos principais nomes do parnasianismo no Brasil, Olavo Bilac (1865-1918) teve também ativa carreira de jornalista. O livro Imprensa e Belle Époque: Olavo Bilac, o jornalismo e suas histórias ajuda a revelar esse lado menos conhecido do poeta.
A obra, de autoria da jornalista Marta Scherer, será lançada em Florianópolis dia 16 de agosto pela editora da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). A pesquisa que deu origem ao trabalho foi feita para a dissertação de mestrado de Scherer, defendida em 2008 na Universidade Federal de Santa Catarina. A partir da análise de crônicas publicadas por Bilac entre 1892 e 1908, a jornalista revela pontos de vista do autor sobre o jornalismo praticado no período.

" As palavras são traidoras, e a fotografia é fiel", escreveu Olavo Bilac na Gazeta de Notícias a 13 de janeiro de 1901.
Parte das crônicas havia sido resgatada pelo professor Antônio Dimas, da Universidade de São Paulo, na coletânea Bilac, o jornalista. Nem por isso Scherer teve pouco trabalho: dos 96 textos que utiliza como fonte em seu livro, a jornalista transcreveu 48 de jornais do acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Desses, 14 ainda não haviam sido publicados em livro.

"Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha..."
Bilac atuou como jornalista no período da chamada Belle Époque brasileira (1889-1922), quando o jornalismo passou por grandes transformações, abandonando o modelo panfletário para se profissionalizar, em moldes empresariais.

"Não és bom nem mal, és triste e humano"

Em seu levantamento, a pesquisadora reuniu crônicas publicadas em A BruxaA CigarraKosmosO CombateCorreio PaulistanoGazeta de Notícias e O Estado de S.Paulo.

"Que fazer para ser como os felizes... Ama!"

Segundo Scherer, as discussões sobre o futuro do jornalismo na época de Bilac eram parecidas com as de hoje. “Ele dizia, por exemplo, que o surgimento do cinema poria fim à imprensa escrita”, conta. Algo parecido com o atual debate em torno do fim do jornal impresso, que seria substituído por plataformas digitais.Outra discussão comum na época dizia respeito ao uso da fotografia nos veículos de comunicação. Bilac acreditava que seu emprego acabaria com a necessidade de texto.

Para Scherer, o trabalho do Bilac cronista foi caindo no esquecimento a partir do movimento da Semana de Arte Moderna de 1922, que renegava autores tradicionalistas. “O Bilac poeta resistiu a essa revolução porque sua obra tinha se consolidado de modo muito forte”, diz a jornalista. “Mas não houve grande preocupação em preservar seu trabalho de cronista.”

Fonte: observatoriodaimprensa



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