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segunda-feira, 4 de maio de 2015

No Dia da Liberdade de Imprensa, profissionais fazem protesto em Curitiba

No último domingo (03), aproximadamente 100 pessoas estavam nas ruas de Curitiba, no Paraná, em um ato contra a perseguição de jornalistas, já que a data marcava o Dia da Liberdade de Imprensa. O grupo partiu das ruínas do São Francisco com direção a Feira do Largo da Ordem, no centro histórico da cidade, usando camisas pretas e com bocas amordaçadas.

Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
A manifestação teria como alvo irregularidades que aconteceram em 2012. A história começa com uma série de reportagens feitas  no jornal Gazeta do Povo, que mostravam irregularidades na Polícia Civil e Militar do Estado, que exibia policiais utilizando viaturas para fins particulares. O Sindijor-PR acusou as corporações por pressionar os repórteres a revelarem as fontes das reportagens.

Os jornalistas foram chamados para depor e se confrontar com os acusados. Para o Sindicato dos Jornalistas, a insistência tem como objetivo descobrir as fontes e não punir os policiais que cometeram excessos.

Em outro caso, uma repórter da Rede Globo foi ameaçada em Londrina, onde investigava um escândalo de corrupção na Receita Federal. 

(Com informações do portal G1)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Jornalistas são agredidos em manifestação de professores

As equipes de reportagem da Rede Globo e do SBT foram agredidas na última sexta-feira (24) em São Paulo, durante protesto de professores. Um grupo de manifestantes atacou jornalistas e cinegrafistas próximo à Secretaria Estadual de Educação, localizada na Praça da República.

Durante a ação, um câmera do SBT foi atingido por sacos de lixo, recebeu chutes e teve seu equipamento quebrado. A equipe da Globo foi perseguida por três quarteirões e precisou se abrigar em um bar.

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) e a Polícia Militar afirmaram que o grupo de agressores era ligado ao movimento black bloc. Os professores estão em greve desde o dia 14 de março deste ano e reivindicam melhores condições de trabalho e aumento salarial de 75,33%.

(Com informações do portal R7)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quanto valem 20 centavos?

"Vinte centavos talvez sejam o tanto de morte que uma vida humana já não pode suportar."
Foto: Divulgação

Eliane Brum escreve às segundas-feiras na Revista Época, e como não poderia ser diferente, esse texto fala sobre as manifestações que ocorreram na semana passada em protesto ao aumento das tarifas dos ônibus. Manifestações que aliás continuarão...

Leia:

Vinte centavos não são vinte centavos. Vinte centavos tornaram-se ao mesmo tempo estopim e símbolo de um movimento tão grávido de possibilidades que foi reprimido a balas de borracha, a bombas de gás lacrimogêneo e também a golpes de caneta. O que começou com o aumento da passagem do ônibus, se alargou, se metamorfoseou e virou um grito coletivo que tomou a Avenida Paulista e ecoou nas ruas do Brasil. O que há de tão ameaçador nestes 20 centavos, a ponto de fazer com que governos da democracia protagonizem cenas da ditadura, é talvez algo que se acreditava morto por aqui: utopia. A notícia perigosa anunciada pelas ruas, a novidade que o Estado tentou esmagar com os cascos dos cavalos da polícia paulista, é que, enfim, estamos vivos.

A multidão que tomou as ruas de São Paulo, ecoando o que já vinha acontecendo em outras cidades do Brasil, está longe de ser homogênea. Há grupos organizados – e alguns deles acreditam que a depredação é um ato legítimo de defesa, diante da violência sistemática praticada pelo Estado e pelo capital –, há partidos políticos de esquerda e há uma massa de pessoas, a maioria jovens, que aderiram movidas por suas próprias aspirações. O que une “os vários movimentos dentro de um” são os 20 centavos. Mas os 20 centavos deixaram de ser 20 centavos para se tornar expressão de um descontentamento difuso, mas nem por isso menos profundo. Uma decepção com a vida que se vive e um anseio por sentido.

As manifestações de rua são talvez a melhor notícia da democracia, a prova maior de sua vitalidade, mas elas expressam o sentimento de que os políticos que aí estão, os partidos que aí estão, a concepção de mundo, de país e de política que eles representam, já não representam um número crescente de pessoas. Especialmente os jovens pós-internet, mas não só. Contra aquilo que não se entende, mas que ameaça o poder estabelecido, joga-se a polícia. O que se viu na quinta-feira (13/6) foram cenas que lembravam a ditadura militar. Mas as semelhanças acabam aí. A demonstração de força era a expressão de uma fragilidade com a marca deste tempo histórico, do hoje.

(...)

É possível que seja de qualificação do desejo que esse movimento fale. Talvez seja esta a única coesão entre tantos anseios diferentes, organizados ou não. O sentimento de que essa vida é pouca, de que essa política pautada mais pela reprodução das relações de poder do que por ideias de um Brasil melhor já não motiva ninguém. Em São Paulo, mais do qualquer uma das outras capitais que também se levantaram e se levantam, a questão do transporte explicita todo esse desencanto. É muito simbólico que Alckmin e sua polícia tenham frisado tanto que defendiam “o direito de ir e vir” dos cidadãos, como se cidadãos também não fossem aqueles que se manifestavam. Mas o mais irônico dessa justificativa para a repressão é que “ir e vir” é o que não se consegue fazer em São Paulo, imobilizados em ônibus e carros no trânsito parado, uma oposição já cristalizada na linguagem. Talvez o que una os manifestantes tão diferentes de São Paulo seja o movimento – o ato mesmo de literalmente romper o imobilismo e se mover. A maior transgressão é andar – e por isso era também crucial andar na imensamente simbólica Avenida Paulista. Pessoas, não carros, não ônibus 20 centavos mais caros. Não mais como zumbis sustentando uma vida insustentável em passos claudicantes e limitados, mas como pessoas no movimento desejante em busca de uma vida que faça mais sentido.

Vinte centavos talvez sejam o tanto de morte que uma vida humana já não pode suportar. Em São Paulo, mas também em Porto Alegre, no Rio, em Brasília, em várias cidades e capitais. Assim como em outras partes do mundo – antes, agora, possivelmente depois –, em cada uma delas com contextos, peculiaridades e rostos próprios, mas com algo em comum que é possível reconhecer. Algo que revela de um mundo que apodrece, de um modo de vida que já não dá conta da vida.

Talvez quem melhor tenha sintetizado os protestos que hoje tomam conta do Brasil tenha sido um velho, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em outro canto do mundo, quase dois anos atrás. Ao falar aos jovens que tomaram as ruas de cidades da Espanha como Barcelona e Madri, ele disse uma frase que se disseminou pela internet, traduzida para várias línguas: “Este mundo de merda está grávido de outro”.

Tomara que esteja. E que tenhamos a grandeza de sonhar com um mundo em que exista espaço para a vida.


Confira o texto na íntegra.